Mapa 4.0

A presente pesquisa se propõe a atualizar os dados e identificar as Televisões Universitárias em funcionamento no país. A metodologia envolve pesquisa bibliográfica, busca na internet e questionário online.

 

O site
Este site foi desenvolvido com o financiamento da Universidade de Brasília (Edital DPI/UnB N° 04/2019) e o apoio da ABTU e do Observatório da Radiodifusão Pública na América Latina, da Faculdade de Comunicação da UnB (FAC/UnB).
 

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MAPEAMENTOS DA TV UNIVERSITÁRIA BRASILEIRA 

 
 
Ricardo B. OLIVEIRA
 

Com o objetivo de identificar as TVs Universitárias em atividade no país e, dessa forma, promover a integração do segmento, bem como fomentar o desenvolvimento de políticas públicas e privadas, a Associação Brasileira de Televisão Universitária - ABTU produz ou coparticipa periodicamente da elaboração de mapas dos veículos universitários brasileiros. Conforme destaca o professor e conselheiro da ABTU, Cláudio Magalhães, para melhorar compreender o ambiente das TVUs é preciso saber quantas existem, onde estão localizadas e como são feitas as produções. “Só assim será possível lutar por políticas públicas e privadas, incluindo aí trabalhos junto às nossas próprias mantenedoras” (informação verbal).

 
O primeiro levantamento (Figura 1) foi realizado em 2002 por um grupo de pesquisa da PUC-Campinas, sob a coordenação do prof. Juliano Maurício de Carvalho, na ocasião diretor da ABTU (CARVALHO, 2002). O resultado foi a produção de um CD-ROM. Segundo Magalhães (2018), hoje restaram apenas resquícios desse material e citações em outros trabalhos. O mapa localizou 22 canais universitários em atividade no país à época, com quatro TVs em sinal aberto.
 
 
Figura 1: CD-ROM com o primeiro Mapa das TVUs brasileiras
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Fonte: arquivo ABTU
 
 
Em 2004, por solicitação da UNESCO, a ABTU realizou levantamento (Figura 2), sem o nome de mapa, sobre as TVUs (PEIXOTO; PRIOLLI, 2004), atualizando os dados: na ocasião, havia pelo menos 31 canais na TV a cabo, mantidos por 64 IES. O relatório apontou também as primeiras experiências com transmissão pela internet.
 
 
 Figura 2: Capa do segundo Mapa de TVUs brasileiras
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Fonte: UNESCO
 
 

 

Dois anos depois, a ABTU elaborou para o I Fórum Nacional de TVs Públicas um diagnóstico do campo público de TV (MINC, 2006) (Figura 3). Esse estudo não pode ser considerado uma atualização dos mapas anteriores, pois focou em atender ao pedido do Ministério da Cultura. O documento buscava traçar um panorama amplo do segmento. Segundo Magalhães (2018), um subproduto resultante desse levantamento foi a metodologia de pesquisa, que viria a influenciar os demais estudos, com a busca do detalhamento sobre aspectos técnicos, a manutenção política dentro da instituição de ensino e o conteúdo da programação.

 

 

 Figura 3: Capa do segundo Mapa de TVUs brasileiras

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Fonte: Ministério da Cultura

 

 

Em 2009, a prof.ª Alzimar Ramalho desenvolveu tese de Doutorado sobre as TVs Universitárias no Brasil, que resultou na publicação do Mapa da TV Universitária Brasileira - Versão 3.0 (Figura 4), finalizado em 2011 (RAMALHO, 2011). Nesse terceiro levantamento foi possível perceber um crescimento exponencial na quantidade de universidades com produção televisiva no país (ANDRADE; MAZZA; LIMA, 2016).
 
 
 Figura 4: Capa da edição do Mapa 3.0
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Fonte: arquivo pessoal
 
 

Trata-se de um mapa ilustrativo da TV Universitária, com dados obtidos a partir de pesquisa de campo e aplicação de formulários semiestruturados para compreender melhor os perfis e os desafios desses veículos para se manterem e oferecerem uma programação de qualidade. Dessa forma, o levantamento também apurou informações detalhadas sobre as TVUs, tais como: a estrutura e as relações institucionais, a capacidade de produção, o tempo de exibição, as formas de compartilhamento de conteúdos, as fontes de financiamento, as filiações e os formatos dos programas.

 

A investigação partiu de mais de 2.400 Instituições de Ensino Superior registradas no Ministério da Educação, conseguindo localizar mais de 1.600. Destas, 151 responderam ter uma TV Universitária (9% das IES). Nesse mapa, não foram consideradas como TVUs as produções audiovisuais postadas por estudantes no YouTube e outras redes sociais, “por não carregarem o conceito de oferta de grade de programação” (RAMALHO, 2011, p. 22).

 

De acordo com esse levantamento, as Televisões Universitárias estavam assim distribuídas no país: 52 na região Sudeste, 38 na região Sul, 34 na região Nordeste, 17 na região Centro-Oeste e 9 na região Norte. Vale destacar que ao mapa demorou quatro anos para ser concluído, diante da dificuldade em obter informações por parte das emissoras (RAMALHO, 2011).

 

 

Mapa 4.0

 

Ao longo do desenvolvimento do Mapa 4.0 [1], foram aplicados vários procedimentos metodológicos: pesquisa bibliográfica e documental, busca nos sites das IES e das TVUs, visita técnica em evento do segmento, entrevistas exploratórias presenciais com coordenadores de emissoras, troca de mensagens com dirigentes e envio de e-mails e de formulário online.

 

Inicialmente, realizou-se revisão bibliográfica e documental dos mapas anteriores, além de pesquisa exploratória para identificar se as 151 TVUs listadas em 2011 estavam em atividade. Posteriormente, fez-se pesquisa nos sites dessas TVs para localizar o conteúdo produzido e as informações sobre o funcionamento, como redes e canais em que estavam afiliadas (MAGALHÃES, 2018).

 

Paralelamente, buscou-se descobrir novas TVs Universitárias não incluídas no primeiro levantamento. Portanto, na tentativa de ampliar os números referentes ao mapa de 2011, foi realizado um contato por e-mail com Instituições de Ensino Superior de todo o Brasil. Os contatos foram obtidos de uma lista de cadastro das IES no MEC em 2011, com todas as 2.365 instituições registradas naquele ano. Todavia, apenas 1.270 (53,6%) instituições tinham e-mails válidos. Da lista, apenas três e-mails foram respondidos.  Enviou-se, ainda, e-mail para todas as IES com TVUs, a partir dos dados encontrados em seus sites, mas também sem muito sucesso de respostas. Dessa lista, apenas 62 e-mails eram válidos e obtiveram-se quatro respostas.

 

Em uma primeira etapa da pesquisa empírica nos sites das IES, foi possível localizar informações referenciais primárias (citações, link no site, descrições, página especial, site próprio e vídeos) de 94 das 151 instituições com TVs Universitárias apontadas em 2011. Dessas, foram excluídas 15 IES cujas TVUs apenas produzem conteúdo promocional. Após o envio de mais e-mails para a lista de TVUs de 2011, obtiveram-se quatro respostas positivas. Posteriormente, foram detectadas na internet mais 18 TVUs não localizadas no mapa anterior, e abriu-se investigação em 55 meios com presença nas redes sociais.

 

Até o início de 2019, haviam sido listadas 167 TVs Universitárias, incluindo aquelas em investigação e 26 que responderam ao questionário. As informações sobre os veículos foram formatadas com 48 variáveis: local, ano de fundação, endereços na internet, organização e categoria da IES, produção de conteúdo, formas de transmissão, afiliação, programas, entre outras. Dessas 167, foram excluídas 14 por estarem repetidas no levantamento, divulgarem apenas vídeos de caráter promocional, não terem qualquer meio de transmissão ou estarem inativas há anos no meio em que atuam: o YouTube. Depois de nova busca na internet, foram localizadas mais 24 emissoras, chegando-se ao total de 177 TVs Universitárias - por meio de pesquisas empíricas e das respostas das emissoras ao questionário online.

 

Nessa fase do levantamento, foi produzido artigo com os resultados prévios das 177 TVUs localizadas, publicado na edição de janeiro/fevereiro de 2020 da Revista da SET (MAGALHÃES; BORGES, 2020).

 

Na continuidade da pesquisa empírica, percebeu-se que algumas dessas emissoras estavam inativas ou possuíam características mais próximas de um canal de divugação institucional, não se enquadrando com WebTV. Buscou-se, então, um maior refinamento na caracterização de TVU e em propostas para a definição de WebTVU. Assim, foram adotados os seguintes critérios para a classificação de TV Universitária:

 

1. autointitulação e identidade própria;

2. produção regular;

3. ênfase em ensino, pesquisa e extensão;

4. caráter formador;

5. linguagem televisiva;

6. vinculada a uma IES (pública ou privada).


 

Quanto às WebTVUs, emissoras em atividade apenas na internet - em especial no YouTube -, passou-se a considerar os seguintes pré-requisitos:

 

 

1. autointitulação;

2. ativa no YouTube, com atualização frequente - pois não se trata de um mero repositório;

3. conteúdo audiovisual não restrito à veiculação publicitária.


 

Dessa forma, foram excluídos 52 canais do Mapa 4.0 - por inatividade ou por não se enquadrarem nos critérios propostos. Essas emissoras continuarão a ser monitoradas, uma vez que possuem potencial para atender aos pré-requisitos propostos. Ao mesmo tempo, em novas buscas em sites das IES, a partir de pesquisas em instituições de ensino credenciadas no MEC, via e-MEC, [2] localizou-se 57 canais com características de emissora de TV universitária, atuando, principalmente, como WebTVU. Chegou-se, então, ao quantitativo de 183 TVUs em atividade no país.

 
Entre os meses de dezembro de 2020 e fevereiro de 2021, foi realizada uma atualização do levantamento, a partir dos critérios anteriormente expostos para o enquadramento de TVU e WebTVU. Assim, foram excluídas 15 emissoras, principalmente por inatividade e por apresentar características de um canal de divulgação institucional. Ao mesmo tempo, foram localizadas 22 novas TVUs, chegando-se ao quantitativo atual de 190 TVs Universitárias, um aumento de 26% em relação ao mapa anterior.
 

Além disso, ao longo do ano de 2020 e início de 2021 foram intensificados os contatos com as TVUs, via e-mail e mídias sociais (Instagram e Facebook). O contato por telefone teve pouco êxito, pois grande parte das IES está funcionando remotamente, devido à pandemia do novo coronavírus (COVID-19). Foram obtidas, até o momento, 48 respostas (25% do total de emissoras) ao questionário online, atualizado com questões relativas ao uso de mídias sociais digitais.

 

Por fim, vale destacar que a produção deste site conta com o apoio financeiro da Universidade de Brasília, por meio do edital de fomento à pesquisa (Edital DPI - UnB N° 04/2019), o qual possibilitou a contratação de um estagiário para auxiliar na produção e atualização do Mapa 4.0. Embora ainda em fase de finalização, já é possível afirmar que as TVs Universitárias são veículos complexos, em constante transformação, que buscam se adaptar aos novos tempos para exercer bem a sua missão institucional, além de proporcionar uma experiência prazerosa e enriquecedora ao público, nas mais variadas telas.

 

 


 

[1] A pesquisa, sob orientação do prof. Dr. Cláudio Márcio Magalhães, contou inicialmente com a participação dos bolsistas Victor Alves de Almeida Soares e Maria Clara Guimarães Lopes do curso de Publicidade e Propaganda/Centro Universitário Una) e do mestrando Caetano Bonfim Ferreira (Mestrado Profissional em Gestão Social, Educação e Desenvolvimento Local/Una). A partir de 2019, participa do levantamento o autor deste artigo, doutorando do Programa de Pós-Graduação da Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília – PPGCOM/FAC/UnB, com orientação do prof. Dr. Sivaldo Pereira.

 

[2] http://emec.mec.gov.br/ 

 

 

 

REFERÊNCIAS

 

ANDRADE, Ana; MAZZA, Cláudio; LIMA, Guilherme. TV IBMEC - Gênesis de uma proposta audiovisual universitária. Anais do XXXIX Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação. São Paulo: Intercom - Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação. 2016.

 

BRASIL. Lei nº 4.117. Institui o Código Brasileiro de Telecomunicações. 1962. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l4117.htm>. Acesso em: 05 mar. 2020.

 

CARVALHO, Juliano. Mapa da Televisão Universitária no Brasil [CD-Rom). Campinas: ABTU/PUC Campinas. 2002.

 

MAGALHÃES, Cláudio. Mapa 4.0 da Televisão Universitária Brasileira: primeiros levantamentos. In: VI Congreso Internacional de la AE-IC Comunicación y Conocimiento, 2018, Salamanca/Espanha. Actasdel VI Congreso Internacional de la AE-IC. Comunicación y Conocimiento. Libro de comunicaciones. Madrid/Espanha: Asociación Española de Investigación de la Comunicación, 2018. p. 1829-1845.

 

MAGALHÃES, Cláudio; OLIVEIRA, Ricardo. A Televisão Universitária no Brasil: novo mapa, novas telas e configurações. Revista da SET, Nº 189, São Paulo, p. 40-46. Jan./fev. 2020.

 

MINC. Caderno de Debates. Vol 1. Diagnóstico do campo público de televisão. I Fórum nacional de TV's Públicas: Brasília, 2007.

 

PEIXOTO, Fabiana; PRIOLLI, Gabriel. A televisão Universitária no Brasil - os meios de comunicação nas instituições universitárias da América Latina e Caribe. ABTU-Associação Brasileira de Televisão Universitária. UNESCO, IESALC–Instituto Internacional para La Educación Superior em América Latina e El Caribe, 2004.

 

RAMALHO, Alzimar. Mapa da TV Universitária Brasileira – Versão 3.0. Viçosa: Anadarco Editora Comunicação, 2011.

 

 

 

REALIZAÇÃO:

 

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